A María
Existem pessoas que nos marcam, pelos mais diversos factores que simplesmente ás vezes nao se explica, e só se sentem! Sabemos que gostamos delas e pronto.. fim da questão, podemos até nem saber razões, motivos ou o sentimento ao certo, só sabemos que gostamos e pronto! Como diz a caixinha onde guardo os brincos..:”Gosto de ti, Porra!”
A María é minha colega da faculdade, por isso simplesmente nao se pode dizer que a conheça de toda uma vida..conheço-a mais ou menos á um ano! Ela foi a primeira amiga que fiz quando cheguei a esta cidade nova e completamente desconhecida ao iniciar a minha grande aventura (como gosto de lhe chamar!), e sempre me intrigou muitíssimo a maneira dela de ver o mundo, existe algo naquela rapariga que a faz diferente e até hoje não sei explicar bem o que será! Dou comigo aparvalhada com certas declarações dela à cerca da vida, e admito que lhe devo muito desde o primeiro dia que a conheci, (quando me salvou a pele porque sorrateiramente saí da aula de inglês julgando que estava na de alemão e me tinha enganado, e a María se sentou ao meu lado e me deixou ver pelo livro dela).
Mesmo sendo muito dela, muito no seu mundo, e passando pouco para fora o que sente, ja consegui resumir algumas coisas dela..mas que simplesmente não me levam a nenhum lado, estou realmente num beco sem saída...
No dia de doar sangue, perguntei-lhe se ia doar e ficou muito ofendida comigo...Um outro dia conta-me assim do nada que o avô lhe tinha falecido no 11º ano e que por isso entrou em depressão e esteve realmente mal.. num outro dia numa festa com a subida dos níveis de um composto com grupos –OH mais conhecido como alcoól, dou por ela a contar que quando era pequena via pessoas, e que não era como o normal, não era como o típico amigo imaginário, não! Ela via-os realmente e chegou a ter problemas com isso...e hoje, mais uma vez á maneira dela, quando solto no ar um comentário estupidificante sobre dois bebés lindos que acabam de passar por nós, pergunta-me: “ Pensas ter filhos?” –“Não sei María, não penso nisso..já sabes como sou, se algum dia com trinta e tal anos me aborrecer, e tiver o par ideal,..porque não?” –“Pensas nisso dessa maneira?” –“Não sei, acho que simplesmente não penso! Não tenho cabeça para tanto!” e assim começa uma conversa sobre pais e filhos onde ela explica que anda muito dividida porque não sabe se quer ter uma data de filhos ou se não quer ter nenhum, porque pelos filhos temos que abdicar de muitas coisas, é só reparar nos nossos pais , todos os sacrifícios que eles fazem por nós, e tantas coisas que cada um á sua maneira deixou de fazer para poder estar com o outro e poder assim formar uma família unida! Acabou por dizer o que a preocupava... os pais dela não estão nada bem, e a mãe chegou a dizer-lhe que só estavam juntos porque era mais fácil do que separarem-se.....
Gosto muito de ti María, sem explicações de porquês!..”Gosto de ti, Porra!”